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sábado, 25 de abril de 2020

PESCARIA - UM PARADÓXO



Se o peixe é o último a perceber a existencia da água, o pescador, no momento e  diferentemente, vivencia dois universos diferentes: um conhecido e o outro desconhecido experimentando uma espécie de aconchego e de integração existencial..    

A DONA DA HISTÓRIA: “Tudo o que existe no mundo existe para minha história acontecer. As ruas, os lugares por onde eu passo, são apenas cenários da minha história. E os lugares por onde eu ainda não passei não existem ainda, ou então existem, mas nada nesses lugares se movimenta, e em cada um desses lugares tudo está parado no tempo, em determinado momento do futuro, à espera de que minha história chegue até eles. E os lugares aonde eu nunca irei nunca existirão. E as pessoas que nunca passaram por minha vida nunca nascerão”. Publicado em Folha de São Paulo de 22/03/98

Por outro lado, o ser humano busca incessantemente dominar a natureza para um melhor controle do futuro visando assegurar a sua ilusória imortalidade. Mas trata-se de um projeto absurdo querer dominar a natureza se o próprio homem é também natureza. Afinal, quem dominaria o homem? O real conhecido não abrange a incerteza do futuro.

Muito extranho o que acontece numa pescaria. Ao mesmo tempo em que o pescador, na sua vida cotidiana, vivencia (inconsciente) o temor do desconhecido, na pescaria ele é fascinantemente atraído pelo desconhecido. Por isso, pescar em açudes onde os peixes já são conhecidos, de fácil escolha e captura, não há qualquer desafio colocando o homem num desconhecimento crônico de si mesmo.

Interessante, também, é que um grupo de pescadores heterogêneos de diferentes origens, profissões e de diversas classes sociais se identifica e comunga com os mesmos propósitos, que nada mais são do que cada um encontrando-se com si mesmo, fazendo do grupo uma comum-unidade.

Para mim, não há dúvida de que a água é a matriz da vida e o cidadão personagem é a matriz dos fantasmas, das discriminações e dos preconceitos.

CAIXA PRETA Roberto Lanza
25/04/2020

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Eu existo, logo sofro!

Ninguém se cura de ser Humano. O sofrimento faz parte da natureza humana de forma universal e inevitável. Todos nós somos promotores e portadores dos sintomas do sofrimento. Tanto a luta quanto a fuga só amentam o sofrimento. A saída é não identificar com ele e aprender a conviver com ele.

CAIXA PRETA Roberto Lanza
20/12/2017

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

ALMA GÊMEA

No mais íntimo do nosso SER, nutrimos a fantasia de que alguém vai nos completar, como se fosse "alma gêmea".
Na realidade, o que esperamos deste encontro? As artes, as músicas, os mitos, as lendas, etc. parecem que fundamentam e atestam tal condição. Somos realmente peregrinos na busca de algo intimamente relacionado com uma pessoa que fosse misteriosamente nossa. Na ilusão, buscamos a plenitude, para nos sentirmos completos e inteiros.
Infeliz daquele que ignora os riscos e as possibilidade de encontrar pela vida alguém, acreditando que haverá plenitude desse encontro. Haverá sim um encontro, mas será de duas faltas. A sua e a do outro. Se não for percebido isso o perigo é maior que da ilusão e vem logo a desilusão..
Estar inteiro é assumir-se como ser humano saudavelmente independente. Seja, portanto, um ser inteiro antes de ser apenas a metade de um casal. Eu gosto de dizer que casado é feito de dois inteiros e não de duas metades. Somente um ser inteiro pode dizer que ama e é amado. Por que ser apenas metade se você é um individuo e seu parceiro (a) também é outro?
Afinal, querer satisfação plena todo mundo quer. Mas abrir mão de si pelo outro é impossível e pouco recomendável. O justo seria tentar ser fiel ao próprio desejo, mas deixando de ter certo cuidado com a forma de lidar com isso. Afinal orientar por uma ética mais solidária talvez seja a saída. Tentar levar as coisas de tal modo que, sendo fieis ao próprio desejo, não esqueçamos de que o outro existe e que esta alteridade deve ser considerada. Isso é difícil, mas não impossível. Afinal, que graça teria se na vida fosse tudo muito fácil?
É difícil ao homem enfrentar-se e encontrar-se a si mesmo. Avido de exterioridade, sua avidez o conduz ao Vazio. E, fugindo ele de si mesmo encontra-se com a tortura da imensidão de coisas que se abrangem nos sentido”. (Da Ordem 2,10,30).
E ainda:
“Por que se dispersa fora? Começou a entregar seu coração ao exterior e perdeu-se a si mesmo. Quando o homem, por amor a si mesmo, entrega seu coração às coisas de fora, perde-se na fluidez dessas coisas e, de certo modo, dissipa prodigamente suas forças. Esvazia-se de si. Despedaça-se”. (Sermões 96,2)
Como podemos entender tais pensamentos filosóficos?
“Ao Ego, será sempre impossível a plenitude! Como “filho legítimo” da Grande Separação, do surgimento do “eu separado”, do Adão (que vem do Sânscrito: adhi – aham – “primeiro eu”), sempre lhe faltara algo – pois ele sofre a perda da identidade com o todo, desde que se diferenciou dessa matriz primordial, ontológica, representada inicialmente no psiquismo individual pelo útero materno e, logo após, pela relação simbiótica e edipiana com a figura materna. E em busca desse Algo ele tece desde o nascimento uma teia de incontáveis desejos na esperança inconsciente de sustentar-se sobre o imenso vazio existencial, num desespero inaudível de busca de sobrevivência e auto justificativa para o devir dessa existência.
Ele (o ego) se esforça laboriosamente através da vigília e do sono para satisfazer a cada um dos seus desejos, ora justificando-os como instintos naturais e intransponíveis, ora vestindo-os em trajes mais nobres, como algum bem social  moral, cientifico ou até mesmo espiritual”.(Professor Afonso Celso L. Wanderley.)
Por outro lado, existe uma espécie de lei inscrita em cada ser: na qual ele é feito para a alegria e não para o sofrimento. Viver é uma miscelânea de sentimentos, como dores, alegrias, tristezas, prazeres, euforia, amor, felicidade, sem parâmetros de balizamento. Nada disso é coletivo (é pessoal) e nem sequer transferível. Daí a felicidade tornar-se um episódio transitório e repetitivo.
Para grande maioria das pessoas, a vida é um processo de gozar o possível do corpo, reservando-se para a luz da fé as ocasiões de sofrimento inadiáveis. Nossa verdadeira natureza é a paz; a verdade; o amor; a felicidade;... São as crenças cegas que fazem nossa vidas infelizes.
Neste sentido, vejamos o que diz o poeta Vicente de Carvalho (1866-1924) em seu Poema Velho Tema, no qual ele exprime essa arrigada condição humana: a incapacidade de sermos felizes por não valorizarmos o que a vida nos oferece.  

Só a leve esperança, em toda vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada.
Nem é mais a existência, resumida.
Que uma grande esperança malograda
.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansioa e embevecida,
È uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda vida

Essa felicidade que supomos,
Arvore milagrosa que sonhamos,
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde estamos.

Felicidade, árvore frondosa de dourados pomos. Existe, sim, mas nós nunca a encontramos porque ela está sempre apenas onde nós a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos.
CAIXA PRETA - Roberto Lanza

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O ENGODO DO IMAGINÁRIO


ENGODO DO IMAGINÁRIO

Quando o homem nasce é lançado fora de uma situação que era definida, tão definida quanto os instintos, para uma situação indefinida, incerta e exposta. Somente há certeza com relação ao passado – e, quanto ao futuro, apenas com relação à morte. O homem é dotado de razão: é a vida consciente de si mesma: tem consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência do seu curto período de vida, do fato de haver nascido sem ser por vontade própria e de ter de morrer contra sua vontade.

Essencial na existência do homem é o fato de que ele emergiu do reino animal, da adaptação instintiva, transcendeu a natureza – embora sem nunca a deixar; é parte dela – e, contudo, uma vez desviado da natureza e expulso do paraíso– estado da unidade original com a natureza não pode mais voltar a ela.

O homem só pode ir à frente desenvolvendo sua razão, encontrando uma nova harmonia, que seja humana, em lugar da harmonia pré-humana irrecuperavelmente perdida.

A natureza é completamente indiferente à sobrevivência dos seres vivo. Ela é potencialmente providencial. Cada ser vivo deve por si só promover a sua sobrevivência. È evidente que existe um princípio inteligente que atua em favor da vida. A não-indiferença representa o início do "importar-se", o reconhecimento da imagem do outro, a importância de alguém que ocupa espaço físico, temporal, que faz diferença!

Porém, é importante fazer uma distinção: enquanto as coisas são, os valores Não são, mas valem! Quando dizemos de algo vale, não dizemos nada do seu ser, mas dizemos que não é indiferente. A não-indiferença constitui esta variedade ontológica que contrapõe o valor ao ser. Assim, a não indiferença é a essência do valor.

 No caso do ser humano o “princípio da não-indiferençasignifica que não permanecemos indiferentes diante dos seres que constituem o nosso mundo familiar. Eis aí o embrião da fantasia da separatividade, pois constantemente atribuímos a eles valores bipolarizados: belo e feio, bom e mau, divino e profano, verdadeiro e falso, generoso e cínico e assim por diante, construídos pelo registro do imaginário e do engodo.  

“Não há possibilidade de sobrevivência sem o todo, sem o uno. Conviver com a dualidade em uma condição de vida ou morte. Se a mente se caracteriza por ser dual, por separar, dividir, confrontar, julgar, destacar, essa mesma mente jamais poderá apreender a realidade se esta for molar, global, una ou se pelo menos for ”não dual”. Sendo a mente dual, e sendo a dialética um processo puramente mental e que consiste em analisar ou procurar apreender a realidade através da mente, a própria dialética está condenada, pela natureza do instrumento mental que escolheu a oscilar constantemente entre um homogêneo e um heterogêneo, impossíveis de absolutizar pelo fato de o próprio instrumento, autor desta oposição, ser, ele mesmo, feito de energia”. (WEIL, Pierre. As Fronteiras da Evolução e da Morte, Editora Vozes -1990. 4ª Edição, pág. 29)


CAIXA PRETA – Roberto Lanza

15/11/2017
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

terça-feira, 19 de setembro de 2017

OBSCURA AUTORIDADE

OBSCURA AUTORIDADE

A natureza é com certeza providencial, mas completamente indiferente à sobrevivência dos seres vivos. Cada ser vivo deve por si só promover a sua sobrevivência. A não-indiferença representa o início do "importar-se", o reconhecimento da imagem do outro, a importância de alguém que ocupa espaço físico, temporal, que faz diferença! 
Porém, é importante fazer uma distinção: enquanto as coisas são, os valores valem. Parafraseando Garcia Morente, podemos dizer que "os valores não são, mas valem. Quando dizemos de algo que vale, não dizemos nado do seu ser, mas dizemos que não é indiferente. A não-indiferença constitui esta variedade ontológica que contrapõe o valor ao ser. A não indiferença é a essência do valor".
Distinção entre juízos de realidade e juízos de valor. Os primeiros, enquanto constatação da realidade (ex.: isto é uma mesa) e os últimos, enquanto qualidade do conteúdo, podendo ser atrativa ou repulsiva, boa ou má e assim por diante.
No caso do ser humano o princípio da “não-indiferença é a essência do valer". Isso significa que não permanecemos indiferentes diante dos seres que constituem o nosso mundo familiar, pois constantemente atribuímos a eles valores bipolarizados: bom e mau, verdadeiro e falso, belo e feio, generoso e mesquinho, sublime e ridículo, e assim por diante.
Já no caso do ser humano o “principio da não-indiferença” já inicia até mesmo antes do Bebê nascer. Geralmente, há um ambiente  organizado para recebê-lo De fato, o ser humano faz parte de uma estrutura, uma vez que ninguém chega num vazio. Em relação aos pais, à família, à cultura, já existe certo lugar reservado para a criança que ainda não nasceu ela já tem o seu lugar marcado. Isso significa que a vida de um indivíduo tem suas determinações fora dele, determinações anteriores e fora dele, diferentemente dos animais. 
A essa estrutura na qual todo ser humano se insere, a essa estrutura externa ao sujeito e que o determina, é chamada pela psicanálise de Outro (Grande outro). Podemos, então, supor que surgirá o marco inicial do sentimento de apego e, em contra partida, a aquisição de um adimensional sentimento de auto-despossessão.
Destarte, nós seres humanos vivemos inseridos num mundo “estrangeiro” onde tudo que não sou eu é outro e tudo que não é meu é do outro. E mais, eu sou o outro do meu próximo e vice-versa. Tudo isso resulta numa obscura autoridade, repleta de crenças, de arquétipos, de egrégoras, religiões, mitos, lenda, fadas, etc. Nosso inconsciente anda repleto de falas, sugestões, opiniões dos outros. O que significa dizer que nossa mente (inconsciente) é estruturada como o discurso do Outro.
Torna-se importante entender que esse Outro não é uma pessoa, mas uma estrutura externa que gradativamente inscrever-se-á na estrutura psíquica do indivíduo. 
Assim, o sujeito, por definição, está determinado desde fora dele, e o Outro deve ser pensado como uma referência que são os parâmetros da vida desse sujeito, o que ele é.
Daí a pergunta: Que outro é esse que não sou eu ao qual sou mais apegado? Portanto, é importante salientar que o humano se trata de um ser de existência alienada, num desconhecimento crônico de si mesmo. Implica que o sujeito não sabe quem ele é. E, ainda: falta-lhe a inconsciência animal para poder viver em paz consigo mesmo e com a indiferença da natureza.
Significa que a diferença dos demais é que atribui valor a alguma coisa. Por exemplo, você ser diferente dos demais estudantes, é o que lhe dará valor, agora, se o valor é bom ou ruim aí é com você, ou com o que se está lidando.
O que é ser indiferente? É ser comum, qualquer, igual a todos. Quando é citado o "não", todos esses conceitos são invertidos. Reescrevendo, com o mesmo sentido, temos: "A diferença é a essência do valer". Significa que "O valer à pena" é marcado pela diferença. Ex: Para valer a pena, mostre o seu diferencial. Afinal, quem não quer ser reconhecido? Quem não quer ser distinguido?


CAIXA PRETA  Roberto Lanza

19/09/2017

terça-feira, 18 de outubro de 2016

VIVER A VIDA

          Seria bom que ficasse entendido que a vida não foi feita para ser compreendida, mas sim para ser vivida.

         Caro leitor: para você refletir.

        "Só há duas maneiras de viver a vida: a primeira é vivê-la como se milagres não existissem. A segunda é vivê-la como se tudo fosse milagre".
Albert Einstein

         CAIXA PRETA Roberto Lanza

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OS BOICOTES DO EGO



O ser humano é uma realidade complexa bastante susceptível para o desequilíbrio emocional. Em matéria de psiquismo, todo ”beco sem saída” tem uma passagem secreta e, ao mesmo tempo um “esconderijo” à nossa disposição, no intimo da nossa consciência. . Em contrapartida, a saída secreta exige esforço, disposição e precisa de nossa licença.
Geralmente preferimos permanecer no joguete de meias verdade, num jogo de “faz de conta” inviabilizando modificar a nós mesmos para uma vida pessoal de menor qualidade. No esconderijo, para evitar o confronto com a nossa verdade traumática, refugiamo-nos no escapismo, afastando-nos da própria verdade. Tal fuga se faz recompensa ilusória e desastrosa.
O escapismo é uma forma de nos proteger de nós mesmos, que se torna uma recompensa ilusória e desastrosa. Quando o viver passa a ser doentio, depositamos na morte a promessa maior de vida e o que soçobra é o medo da vida, o qual camufla a morte como expressão da nossa recusa de sermos verdadeiros. Assim, falta-nos auto-possessão com sentido de vida.
Interessante é que, comprovadamente, existem casos de enfermidades graves com previsão de óbito e, no entanto, o paciente foi salvo ou se curou e proporcionou um processo de mudança de vida mais equilibrada. Em tais casos, a causa da cura foi a iminência da morte que a vida foi incapaz de suscitar..
Neste sentido, é importante ressaltar que a ameaça de morte faz valorizar o que realmente é importante – fruição nas relações. Portanto, podemos constatar que: na vida se consegue o que se busca, sobretudo uma doença.
Sentir dentro de nós uma plenitude de paz é estar de bem com a vida, consigo mesmo e com os outros, mas, primeiro, é preciso abandonar os velhos hábitos e pseudos-valores. 
É muito natural que, no decorrer da vida ocorram aberraçõescuja incerteza nos assusta. Mutações sempre acontecem e nos ameaçam, sobretudo quando nos falta um ponto focal firme que cimenta as partes do todo.
Se mal integrados, em razão de vivermos mais para fora que para dentro, fugimos para fora. Ficando mais vulneráveis, cultivamos o caos interior, deixando o essencial abandonado e. também, descartando os valores que nos servem de referenciais por onde navega a afetividade a serviço da integração.Toda enfermidade tem muito de distúrbio – caótico ou relacional – sendo que a saúde é sempre ordem, integração e equilíbrio.
Para falta de confiança, de compromisso, de fragilidade, de medo não faltam justificativas. Dai é só um passo para nos escravizar. E portas se fecham. A vida requer muita luta e, principalmente confiança. Mesmo sendo seres condicionados, podemos ser expert em criatividade, forjando nossa existência com o todo integrado. Sermos prisioneiro daquilo que nos cerca, somos instigados a nos libertar de prisões interiores e exteriores. Há uma capacidade decisiva que habita dentro de nós a qual permite que a vida possa acontecer.
Entretanto, não faltam motivos para nos desculpar diante da fragilidade, medo, desânimos decorrentes de problemas pessoais. O Ego é especialista em transferir tais sentimentos, de forma pretensiosa, para as situações, as coisas e as pessoas, alheias à nossa pessoa. Então, as oportunidades se fecham.
Como agentes do nosso destino passamos a ser vitimas, o resultado não pode ser outro senão tornarmos vitimas de nós mesmos, ficando mais difícil cuidar bem da vida. Urge voltar para dentro de nós e nos desmascarar, sendo o caminho mais correto. É preciso apostar em nossa força criativa. Nosso compromisso com a gratuidade é caminho seguro para uma vida de qualidade.
Compilado de Autor desconhecido

CAIXA PRETA Roberto Lanza
17/10/2016


domingo, 16 de outubro de 2016

VIDA E MORTE.

Pensamento filosófico:" Não há vida sem morte e nem morte sem vida. O que há é uma mistura e separação de coisas existentes".

Posso deduzir que: No infinito da eternidade a vida e a morte se fundem.

E assim disse Albert Einstein:
"Um dos motivos mais poderosos que conduziram o homem em direção a arte e a ciência foi o de escapar do quotidiano"

CAIXA PRETA - Roiberto Lanza 
16/10/2016

sábado, 15 de outubro de 2016

OS CEGOS E O ELEFANTE


OS CEGOS E O ELEFANTE

Autor Jhon Godfrey Saxe

À beira de uma estrada,
Que conduz a Jericó,
Seis cegos, sem dizer nada,
Seus barretes estendiam,
Pedindo, a quem tinha dó,
esmolas, de que viviam.

Todos seis, porém, sentiam
Bastante não conhecer,
O elefante, que diziam
Ser bonito animal,
Muito grande, muito forte,
Incapaz de fazer mal.

Quando ali aconteceu,
Passar rico viajante
Conduzindo o elefante,
Cada um se convenceu
Que podia, com seu tato,
De uma vez, saber, assim,
Aproveitando tal fato,
Que bicho era aquele , enfim.

O primeiro, nas ilhargas
Apalpando o elefante:
´´Já sei, são paredes largas``,
desse, alegre, triunfante.
´´Qual nada``, disse o segundo,
Que, passando com presteza,
As mãos sobre a grande presa.

Do elefante, assim falou:
´´Enganou-se meu amigo,
Ele é bem parecido,
Com lanças pontuadas, fortes,
Capazes de causar corte``.


´´Pois sim!`` falou o terceiro,
´´Para mim, um elefante,
À cobra é que é semelhante``.
´´Nunca vi tamanha asneira``,
Disse o quarto, convencido:
´´Para mim, é uma palmeira!``

O quinto cego, porém,
Como a orelha alcançasse,
Disse, opinando também:
´´Deixem de tanta parola,
O elefante é, tão somente,
Uma grande ventarola`` .

E o sexto, pegando a cauda,
Do bicho, disse por fim:
´´Qual nada! Mas que cegueira!
Como a corda, é ele, assim``

E o guia do elefante
Ao lado do viajante,
Seguiu deixando, abalados,
Os seis cegos, exaltados,
Discutiam esta questão:

``Se a verdade é tão difícil
de apurar, sem discussão,
fiquemos, pois, cada um,
com sua convicção``.

CAIXA PRETA –Roberto Lanza

15/10/2016

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

IGNORANDO QUEM EU SOU


O homem quando se identifica com a sua personalidade e com a forma material, é inconsciente de sua verdadeira essência, do seu EU Real, e durante longo tempo não percebe essa atração da alma; ou melhor, percebe-a inconscientemente, como sensação de vazio, de insatisfação, de solidão, de separação. Sente-se incompleto, e então busca a complementação em caminhos errados, no exterior, mantendo-se constantemente iludido.

Poderíamos dizer que o sofrimento fundamental do homem, sua angustia existencial é, na realidade, o sentimento de ter perdido a si mesmo, de se ter distanciado da sua realidade espiritual.

Dizia Stendhal, com argucia: “Vemos as coisas tal como se afiguram à nossa cabeça. Portanto, precisamos conhecer a nossa cabeça”.

O homem tem dentro de si a exigência inata de compreender o significado da vida, porque é o único entre os seres viventes que tem consciência de que existe, o senso do eu individual, e a faculdade de pensar e de fazer perguntas a si mesmo.


O mistério da vida não é um problema a resolver, mas uma realidade a experimentar. Van Der leeuw

CAIXA PRETA Roberto Lanza
29/09/2016

A INCOMPLETUDE HUMANA

A incompletude, mesmo não constituída em assunto empolgante para conversas tanto populares quanto eruditas, é, todavia, sentida, todos os dias, como experiência na condição humana. Querendo ou não, sentem-se os humanos obrigados a lidar com constatações que mostram, ao lado das suas grandes capacidades, um antagonismo de extraordinária fragilidade, e que em todos os dias os interpela para preencher a falta de algo, seja na mediação dos recursos técnicos, eletrônicos e midiáticos, ou na procura de reagentes somáticos para diminuir dores, suprir fomes, expectativas, ansiedades e tantos outros limites.

O termo “incompletude” decorre do adjetivo derivado da palavra latina “incompletu” que significa imperfeito, não acabado ou não completo. Assim, a palavra incompletude é usada para expressar a característica muito peculiar e específica da condição humana, que é a da constante necessidade de se completar com serviços, obras, ações e valores que lhe deem significado. É nesta perspectiva antropológica que vamos alargar uma das muitas dimensões da cultura humana e que, por isto mesmo, nos distingue radicalmente da vida de outros seres neste planeta.

Texto compilado de:
João Inácio Kolling1

1 É professor da Faculdade La Salle de Lucas do Rio Verde-MT, Mestre em Antropologia e Doutor em Filosofia e Ciências da Educação. Endereço: joaoik@bol.com.br ou João@unilasallelucas.edu.br

CAIXA PRETA Roberto Lanza
29/09/2016

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

UMA ILUSÃO COTIDIANA


No âmago do ser humano há uma fonte que nutre a fantasia de que em algum lugar alguém está nos esperando sem nem saber que a gente existe e, no entanto, pensando em nós com se fôssemos “almas gêmeas”.
Na realidade, o que esperamos deste encontro? As artes, as músicas, os mitos, as lendas, etc. parecem que vêm atestando tal condição. Somos realmente peregrinos na busca de algo intimamente relacionado com a plenitude, para nos sentirmos completos e inteiros.
Infeliz daquele que ignora os riscos e as possibilidades de encontrar pela vida alguém, acreditando que haverá plenitude desse encontro. Haverá sim um encontro, mas será de duas faltas. A sua e a do outro. Se não for percebido isso o perigo é maior que da ilusão vem logo a desilusão..
Estar inteiro é assumir-se como ser humano saudavelmente independente. Seja, portanto, um ser inteiro antes de ser apenas a metade de um casal. Eu gosto de dizer que casado é feito de dois inteiros e não de duas metades. Somente um ser inteiro pode dizer que ama e é amado. Por que ser apenas metade se você é um individuo e seu parceiro (a) também é outro?
Afinal, querer satisfação plena todo mundo quer. Mas abrir mão de si pelo outro é impossível e pouco recomendável. O justo seria tentar ser fiel ao próprio desejo, mas deixando de ter certo cuidado com a forma de lidar com isso. Afinal orientar por uma ética mais solidária talvez seja a saída. Tentar levar as coisas de tal modo que, sendo fieis ao próprio desejo, não esqueçamos que o outro existe e que esta alteridade deve ser considerada. Isso é difícil, mas não impossível. Afinal, que graça teria se na vida fosse tudo muito fácil?
“É difícil ao homem enfrentar-se e encontrar-se a si mesmo. Ávido de exterioridade, sua avidez o conduz ao Vazio. E, fugindo ele de si mesmo encontra-se com a tortura da imensidão de coisas que se abrangem nos sentidos”. (Da Ordem 2,10,30).

E ainda:
“Por que se dispersa fora? Começou a entregar seu coração ao exterior e perdeu-se a si mesmo. Quando o homem, por amor a si mesmo, entrega seu coração às coisas de fora, perde-se na fluidez dessas coisas e, de certo modo, dissipa prodigamente suas forças. Esvazia-se de si. Despedaça-se”. (Sermões 96,2)
Como podemos entender tais pensamentos filosóficos?
“Ao Ego, será sempre impossível a plenitude! Como “filho legítimo” da Grande Separação, do surgimento do “eu separado”, do Adão (que vem do Sânscrito: adhi – aham – “primeiro eu”), sempre lhe faltara algo – pois ele sofre a perda da identidade com o todo, desde que se diferenciou dessa matriz primordial, ontológica, representada inicialmente no psiquismo individual pelo útero materno e, logo após, pela relação simbiótica e edipiana com a figura materna. E em busca desse Algo ele tece desde o nascimento uma teia de incontáveis desejos na esperança inconsciente de sustentar-se sobre o imenso vazio existencial, num desespero inaudível de busca de sobrevivência e auto justificativa para o devir dessa existência.
Ele (o ego) se esforça laboriosamente através da vigília e do sono para satisfazer a cada um dos seus desejos, ora justificando-os como instintos naturais e intransponíveis, ora vestindo-os em trajes mais nobres, como algum bem social  moral, cientifico ou até mesmo espiritual”.(Professor Afonso Celso L. Wanderley.)
Por outro lado, existe uma espécie de lei inscrita em cada ser: na qual ele é feito para a alegria e não para o sofrimento. Viver é uma miscelânea de sentimento, como dor, alegrias, tristezas, prazeres, euforia, amor, felicidade, sem parâmetros de balizamento. Nada disso é coletivo (é pessoal) e nem sequer transferível. Daí a felicidade tornar-se um episódio transitório e repetitivo.
Para grande maioria das pessoas, a vida é um processo de gozar o possível do corpo, reservando-se para a luz da fé as ocasiões de sofrimento inadiáveis. Nossa verdadeira natureza é a paz; a verdade; o amor; a felicidade;... São as crenças cegas que fazem nossa vida infeliz.
Neste sentido, vejamos o que diz o poeta Vicente de Carvalho (1866-1924) em seu Poema Velho Tema, no qual ele exprime essa arrigada condição humana: a incapacidade de sermos felizes por não valorizarmos o que a vida nos oferece.  
Só a leve esperança, em toda vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada.
Nem é mais a existência, resumida.
Que uma grande esperança malograda
.
O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
È uma hora feliz, sempre adiada
E que não chega nunca em toda vida

Essa felicidade que supomos,
Arvore milagrosa que sonhamos,
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim: mas nós não a alcançamos
Porque está sempre apenas onde a pomos
E nunca a pomos onde estamos.

Felicidade, árvore frondosa de dourados pomos. Existe, sim, mas nós nunca a encontramos porque ela está sempre apenas onde nós a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos.

CIXA PRETA - Roberto Lanza 
28/09/2016


segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

O LUGAR QUE OCUPAMOS.

FOTO DA NASA

Quando estamos em repouso em nosso leito, estamos viajando, somente dentro da nossa galáxia (Via Láctea),  mais de  900.000 km/h., assim dizem os cientistas da astronomia, incluindo-se translação do sol, translação da terra e rotação da terra somente.  

Cada indivíduo humano está em algum lugar no planeta, onde se pode identificar o lugar físico e especial no qual ele se situa. Mas a propriedade e o lugar que ele ocupa é muito diferente. Ninguém é dono de nada, O planeta terra pertence ao universo, mas lá existe o mundo antrópico criado pelo próprio homem, no qual habitamos  

É fato que vivemos no Planeta Terra, mas a vida humana é sempre uma experiência mundana onde tudo está em ordem, já desembaraçado da condição de caos.  Nós humanos estamos constantemente ordenando a realidade onde estamos inseridos. 

Faça o que tem que ser feito, pois assim estamos recriando o mundo, em contrapartida estamos desfazendo o caos. Mas, simultaneamente, existem movimentos contrários. As forças destinadas à realidade para a ordem e a harmonização, há uma força contrária que tende à desorganização para se estabilizar no caos. É o mundo da negação. 

No senso comum, imundo é aquilo que está sujo, impuro, enquanto que o mundo é aquilo que está limpo, asseado, polido, puro. Portanto, o imundo pertence à categoria de tudo o que está fora de ordem, desorganizados para retornarem à forma original. 

Há o mundo das coisas e o mundo dos valores, ou seja, não é possível a existência humana sem que esta não busque seus significados.É assim que consertamos a vida. 

CAIXA PRETA Roberto Lanza 
11/01/2016



domingo, 15 de novembro de 2015

VIVÊNCIAS EXPERENCIAIS



Eu tenho motivos bastante sugestivos para que este texto chegue até você. A razão é muito simples: Eu vivi, mais ou menos durante 60 anos, imerso numa espécie de “aquário”, no qual o peixe é o ultimo a perceber a existência da água”.
Trata-se de uma metáfora de vida, própria da maioria dos seres humanos, os quais vivem na civilização a que pertencem num desconhecimento crônico do próprio Ser e, pior ainda, numa crescente despossessão de si mesmo.
É verdade sim, pelas minhas revelações vivenciais. Tal constatação é real e não muito diferente da dos meus semelhantes que fazem parte da minha história singular.
Quando, pela primeira vez há mais de 20 anos, procurei um Psicólogo para tratamento psicanalítico, a cada sessão eu elaborava uma série de textos escritos, explicações e mais explicações, esquemas e desenhos mirabolantes, aporias de definições e outros argumentos, a fim de orientar o psicanalista. Ele simplesmente me dizia: nada disso me interessa!. Eu quero apenas que você me traga o seu inconsciente. Na época, eu nem sequer imaginava o que significava o verdadeiro inconsciente, bem como o seu poder de influência.
Gradativamente fui compreendendo que tudo que eu tramava eram simplesmente boicotes do meu ego, como mecanismo de defesa para encobrir a minha verdade inconsciente. Tudo para mim era muito enigmático e doloroso.
Ninguém escapa de ter que enfrentar uma verdade inconsciente traumática, insuportável para o eu (Ego) consciente e ter que aprender a conviver com ela. Jung dizia: “o homem somente encontrará a paz quando consciente e inconsciente aprenderem a conviver em harmonia”.
O inconsciente não é algo que se oferece de forma benevolente, pelo contrario. é algo que teima em se ocultar.  Os desígnios conscientes não são capazes de elucidar os enigmas presentes no inconsciente, que se manifestam dissimuladamente nos sonhos, nos atos falhos e nas lacunas do discurso consciente.  
No século passado, Freud desenvolveu a ideia de três humilhações sucessivas sofridas pelo homem. A primeira privou-nos do lugar central do Universo, quando Copérnico demonstrou que a Terra gira ao redor do Sol. Em seguida Darwin demonstrou que somos descendentes dos primatas, em razão da evolução cega, desalojando-nos do lugar de honra entre os seres vivos. Finalmente, Freud descobriu a predominância do inconsciente em processos psíquicos, atestando que “o eu não é senhor em sua própria casa”
Isso acontece porque a verdade do sujeito acha-se aprisionada numa velha palavra, palavra essa que sugere o não ser a si mesmo (alienação).
Pelo fato da consciência do homem estar desperta, a ciência define o homem como o observador, ou seja: a capacidade de observar a si mesmo. Portanto, é um ser de potencialidades desprovido de “bola de cristal”.
Nos reinos inferiores ao homem, é dada à forma material a capacidade de evoluir; no reino humano, pelo contrário, é a consciência que cresce, se desenvolve e se expande, revelando-se aos poucos com crescente capacidade de reflexão, de observação e de percepção consciente.
Se for aceito o que foi dito, aos poucos será percebida que a verdadeira natureza do ser humano está oculta profundamente dentro dele. Ela é como uma semente que deve se abrir, germinar e crescer por meio das experiências da vida mundana.
Um dos maiores preceitos da psicanálise é a recusa em tamponar a brecha que existe entre o sujeito e a sua verdade. Daí, um poderoso fomento para o desenvolvimento do senso crítico.
O resgate do ser de qualquer paciente, necessariamente, terá que passar por um longo e sinuoso percurso para o processo de ressignificação do verdadeiro sentido da vida, descortinando novos horizontes e abrindo a vida para a criação.  Certamente, não será uma tarefa fácil; pelo contrário, frequentemente se mostrarão difíceis e dolorosas.
Podemos sugerir que o verdadeiro objetivo da vida humana é a evolução da consciência, que no homem se individualiza e se torna “consciência de si”. Por meio do autoconhecimento, o homem descobre sua verdadeira natureza e sua origem divina.
È oportuno descrever a seguinte citação:

“Declara-se que o homem é uma criatura que está em busca constante de si mesmo – uma criatura que, em todos os momentos de sua existência, deve examinar e escrutinar as condições da sua existência. Nesse escrutínio, nessa atitude crítica para com a vida humana, consiste o real valor da vida humana” (CASSIRER, Emst. Ensaio sobre o Homem: introdução a uma filosofia da cultura humana. São Paulo: Martins Fontes, 1994, p. 17)

CAIXA PRETA  Roberto Lanza
15/11/2015