sábado, 15 de outubro de 2016

OS CEGOS E O ELEFANTE


OS CEGOS E O ELEFANTE

Autor Jhon Godfrey Saxe

À beira de uma estrada,
Que conduz a Jericó,
Seis cegos, sem dizer nada,
Seus barretes estendiam,
Pedindo, a quem tinha dó,
esmolas, de que viviam.

Todos seis, porém, sentiam
Bastante não conhecer,
O elefante, que diziam
Ser bonito animal,
Muito grande, muito forte,
Incapaz de fazer mal.

Quando ali aconteceu,
Passar rico viajante
Conduzindo o elefante,
Cada um se convenceu
Que podia, com seu tato,
De uma vez, saber, assim,
Aproveitando tal fato,
Que bicho era aquele , enfim.

O primeiro, nas ilhargas
Apalpando o elefante:
´´Já sei, são paredes largas``,
desse, alegre, triunfante.
´´Qual nada``, disse o segundo,
Que, passando com presteza,
As mãos sobre a grande presa.

Do elefante, assim falou:
´´Enganou-se meu amigo,
Ele é bem parecido,
Com lanças pontuadas, fortes,
Capazes de causar corte``.


´´Pois sim!`` falou o terceiro,
´´Para mim, um elefante,
À cobra é que é semelhante``.
´´Nunca vi tamanha asneira``,
Disse o quarto, convencido:
´´Para mim, é uma palmeira!``

O quinto cego, porém,
Como a orelha alcançasse,
Disse, opinando também:
´´Deixem de tanta parola,
O elefante é, tão somente,
Uma grande ventarola`` .

E o sexto, pegando a cauda,
Do bicho, disse por fim:
´´Qual nada! Mas que cegueira!
Como a corda, é ele, assim``

E o guia do elefante
Ao lado do viajante,
Seguiu deixando, abalados,
Os seis cegos, exaltados,
Discutiam esta questão:

``Se a verdade é tão difícil
de apurar, sem discussão,
fiquemos, pois, cada um,
com sua convicção``.

CAIXA PRETA –Roberto Lanza

15/10/2016

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